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Empreendendo no Vale do Silício

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Empreendendo no Vale do Silício

Além das gigantes da computação como Apple e Google, existem outras empresas que desenvolvem produtos muito úteis como o DropboxEvernotePocketFlipboard e Wunderlist.

Esses produtos frequentemente surgem em empresas baseadas no Vale do Silício nos EUA, onde empreendedores do mundo inteiro tentam vender a sua ideia ou então encontrar a ideia que irá gerar um novo produto interessante.

Empreendedorismo

Recentemente, o meu grande amigo Fabricio de Sousa decidiu, junto com seu sócio Renan Carvalheira, fazer as malas e ir para o Vale do Silício empreender. Ele até apareceu no programa Profissão Repórter: Jovens Ansiosos Buscam Espaço no Mercado de Trabalho (veja a Parte 1 e a Parte 2 online).

O Fabricio é aluno do último ano de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo, fez intercâmbio na França, já teve uma empresa (a Tailorbirds) em São Paulo e participou do desenvolvimento do jogo Ski Kitty para iOS.

Essa é uma entrevista que fiz com ele e que espero que ajude a tirar algumas dúvidas daqueles que tem interesse em empreender na área da tecnologia e que cogitam ir para os EUA para abrir uma empresa.

Por que você decidiu ir para o Vale do Silício para empreender?

Tudo aconteceu muito rápido, eu e meu sócio estávamos jantando um dia e chegamos a conclusão de que a empresa era qualquer lugar onde estivéssemos, e que entre ter uma mesa aqui em São Paulo, e uma no Vale do Silício, esse último lugar parecia mais atrativo.

Olhando agora, acho que nossa decisão foi principalmente movida pela ideia de que, ainda que o empreendedorismo em São Paulo estivesse crescendo, não haveria lugar melhor para empreender do que na Califórnia.

Você acredita que os empreendedores de computação e tecnologia deveriam ir para o Vale ao invés de tentarem empreender aqui?

Acho que tudo depende do seu foco. Se para você tanto faz estar aqui ou lá, então vá. Nós queríamos ver como as coisas funcionavam no vale, e por isso fomos.

Viver nos Estados Unidos é mais caro e complicado do que no seu país de origem e eu tenho amigos que têm empresas muito legais e nunca saíram do Brasil, como o pessoal do loja2.com.br. Minha primeira empresa, a Tailorbirds também ficava aqui no Brasil, e quando eu abri ainda não tinha ido para a Califórnia. Não tem fórmula, tem que seguir o feeling.

Como é o ambiente de trabalho no Vale?

Depende. Nós trabalhamos em um espaço colaborativo, o Hacker Dojo. Você paga uma inscrição e tem acesso a um ambiente muito legal, com várias outras pessoas, principalmente empreendedores tentando começar. Mas tinha amigos que já estavam em escritórios comerciais em startups maiores. Acho que a coisa principal é que todo mundo se ajuda, e em todo lugar que você vai se discute com, e se faz contatos com gente de startup.

Quais lições ficaram para você?

Ser um empreendedor de auto impacto é difícil, precisa ter muita garra e vai ser o seu foco principal por alguns bons anos. Para mim as principais lições são: 1) Você precisa estar muito mais apaixonado pela jornada empreendedora, do que pela sua empresa e 2) Você precisa estar pronto para aprender, e aprender. Recomendo a todos que vão começar assistir esse vídeo.

Outra coisa importante, ao menos que você tenha naturalmente dinheiro/herança/pais ricos, você provavelmente vai gastar todas as suas economias e vai comer muito macarrão instantâneo.

Qual foi a melhor coisa da viagem? E a pior?

A pior foi sem dúvida a comida, os americanos comem muito mal. Eu já morei nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil e ouso dizer que nossa comida é sem dúvida a mais gostosa e principalmente saudável, e olha que eu como de tudo, mesmo.

A melhor coisa de toda a viagem foi a reflexão e o aprendizado pessoal sobre o que era para mim empreender. Quando eu entrei na faculdade com 18 anos, meu sonho era ser um novo Bill Gates, e aos 23 na primeira empresa, eu sempre quis dominar o mundo. Hoje eu tenho uma visão diferente sobre o empreendedorismo, e o papel do empreendedor na sociedade, e sobre como eu gostaria de empregar no futuro as experiências que tive como empreendedor nos últimos anos.

Qual a sensação que o Vale passa das futuras inovações tecnológicas? Você acha que veremos grandes inovações num futuro muito próximo, como foi o Facebook?

O Vale do Silício reúne uma miríade de fatores excelentes para o empreendedorismo, entre eles, muitas pessoas talentosas, muitas empresas com histórico de empreender e muito capital. Muita gente boa de outros lugares do mundo acaba indo para lá empreender.

Por essas razões eu espero sim que muita inovação venha de lá. Existem muitas coisas acontecendo até mesmo nas empresas já estabelecidas como o Google, que entre outras coisas está tentando fazer um carro guiado por computador.

Como foi viver por lá?

Não existia muita vida além da empresa. Segunda a domingo eu e meu sócio pedalávamos até o escritório e trabalhávamos. Tem evento o tempo todo, e as vezes íamos em alguns. Para relaxar, saíamos com alguns amigos empreendedores e discutíamos nossos progressos, enfim, empreender 24/7.

Espero que tenham gostado da entrevista e espero que ela ajudem os futuros empreendedores a se decidir sobre viajar ou não para o Vale do Silício.

Image courtesy of digitalart / FreeDigitalPhotos.net

Sobre Rafael Schouery

Rafael é Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo e atualmente faz parte do programa de Doutorado em Ciência da Computação na USP.É entusiasta de tecnologias que surgem no mercado diariamente, sendo seus maiores  interesses, aprender tecnologias que ajudem no dia-a-dia, melhorem a produtividade e o acesso a informação.